Aline Dexheimer...'s profileAline Silva DexheimerPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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21 June O curso natural da vida...Quando temos mais de um filho, sempre nos preocupamos em dividir nosso tempo com todos eles, dar um pouquinho de nós mesmos para cada um sem distinção. Quando temos gêmeos, trigêmeos ou mais, há um agravante, pois como todos têm a mesma idade e as mesmas necessidades, as dificuldades desta tentativa ao longo dos anos tende a se intensificar. Acredito que toda a mãe tem esta grande preocupação em sua mente, como dar a todos os seus filhos o mesmo tratamento, a mesma percentagem de carinho, atenção e amor. Sim, é um percentual difícil de ser calculado. Quando eles são bebês fica mais fácil de distribuir a atenção diante das necessidades trabalhosas, porém mais simples, da rotina diária, entretanto no decorrer do crescimento e desenvolvimento deles, temos que ir nos adaptando conforme a interação e resposta deles do mundo que os cercam, dando assim, um tratamento diferenciado conforme a personalidade de cada um. Lembro-me de quando os meus trigêmeos nasceram e permaneceram na UTI Neo Natal por trinta e três dias. Durante este período minha rotina era de dividir meu tempo para cada um igualmente. Esforçava-me para espremer-me até sair todas as poucas gotas de leite que eu tinha para ser dividido entre os três. Fazia “canguru” com cada um deles, processo denominado assim porque colocamos nossos bebês dentro da nossa roupa, em contato com nossa pele, tipo uma bolsa, feito canguru mesmo. Naquele tempo que eu dispunha bem divididinho entre meus três pequenos, dava carinhos e procurava dar minhas forças a cada um deles para que crescessem fortes e saudáveis. Eram muitas as preocupações, de diversas intensidades e níveis, principalmente a atenção que os enfermeiros davam para cada um deles na UTI. A cada alimentação de um, ou seja, todos comeram de maneira igual. Se todos ganharam peso igualmente. Preocupava-me até mesmo a seleção das roupas. Não necessariamente tinham que ser iguais, mas tinham que ter o mesmo conjunto e número de roupas para cada um. Não que fizesse diferença, mas na cabeça da mãe, a princípio, faz sim. Parece bobagem pensar assim, mas por um tempo até precisamos disso. Faz parte do nosso aprendizado de mãe de múltiplos. Até que, aos poucos, percebemos que o amor não precisa ser tão dividido em partes tão iguais. Aos poucos, percebemos estes pequenos detalhes do dia a dia vão nos ajudando a perceber que temos criaturinhas que se “parecem” muito, são da mesma idade, mesmo tamanho ou quase, porém com personalidades bem diversas e já possivelmente bem percebidas, até mesmo quando ainda estão dentro de uma incubadora. No universo do Orkut, encontro sempre inúmeros amigos do passado e sou presenteada por outro grande número de amigos novos e virtuais. Geralmente, nas comunidades de mães, das quais faço parte, sejam elas grandes ou pequenas. Freqüentemente surgem tópicos e debates sobre as crianças na escola. Devem ficar juntos ou separados. Sempre dou a mesma resposta: ”Por enquanto, meus trigêmeos vão ficar juntos”. Como sou adepta do lema “um dia de cada vez”, eu deixo para depois, o tempo e o desenvolvimento de cada um definirão estes dilemas comuns do dia a dia de irmãos trigêmeos. Como tenho a grata liberdade de fazer estas escolhas por meus filhos, até então, eu não tinha percebido e nem me dado conta que nem sempre todas as mães tem esta mesma chance e esta mesma liberdade de escolha. E quando encontramos obstáculos externos que nos impedem de fazer isso? Certa vez, em uma destas comunidades de pais que eu participo no Orkut, encontrei e fiquei amiga de Jaqueline, uma mãe de gêmeos que me comoveu muito ao relatar o ocorrido com seus filhos gêmeos. Eles estudam em escola pública e não obtiveram vagas na mesma escola. Ela relatou: “Passei pela pior fase da minha vida quando um dos meus filhos gêmeos de dois anos foi sorteado para uma escola no RJ. O seu gêmeo não teve a mesma sorte. Para levar o sorteado o outro precisava ir também. Como choravam muito, entravam no colo, onde um era levado para dentro da escola aos prantos e o outro também aos prantos, permanecia no meu colo. Uma agressão sem limites e impossível de dimensionar os traumas resultantes...” Como explicar para as crianças tão pequenas o motivo desta separação tão drástica? A influência negativa na vida de cada um é muito preocupante para minha amiga que luta diariamente para que um projeto de lei, parado desde o ano passado, seja aprovado. Não se trata de algo banal como discutir se os irmãos devem ou não ficar na mesma classe, mas sim a obtenção e a garantia de vagas no mesmo período da vida em que estão e no mesmo estabelecimento de ensino, evitando assim separações precoces e traumáticas. Eu acredito que os irmãos gêmeos possuem uma maior afinidade entre eles do que os demais tipos de irmãos, os laços de união são bem mais fortes. Observo que existe uma preocupação constante um com o outro, inerente à vontade ou não de quem quer que seja. Desde sempre são dois, três ou mais, e sempre dividiram o mesmo espaço dentro da barriga das suas mães. Eu acredito que há tempo para viver junto. Os irmãos múltiplos, enquanto crescem precisam um do outro, mesmo que sejam pessoas diferentes e muito freqüentemente com necessidades divergentes, vivem, desde sempre um com a presença do outro. Eles ajudam-se mutuamente, obtendo um desenvolvimento bem mais saudável e cooperativo durante todas as fases de seu crescimento. E há tempo para separar. Deixemos para bem mais tarde esta separação. Deixemos para o curso natural da vida... A vida natural e inevitavelmente encarrega-se desta separação, à medida que envelhecemos e seguimos caminhos e sonhos distintos. Neste processo natural, há menos dor e muito menos traumas. 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